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04/04/2016

Mercado interno de máquinas recua 44% no bimestre

Por George Guimarães

- 04/04/2016

A indústria de máquinas agrícolas e de construção fechou fevereiro com vendas internas de 2,3 mil unidades.  Na comparação com janeiro, o resultado é quase um assombro:  50,4% a mais.  Mas, na verdade,  não é , como explica Ana Helena Andrade, vice-presidente da Anfavea:  “Em janeiro as fabricantes estiveram praticamente paralisadas em função de férias coletivas, então esse dado não é uma boa referência”.

Os números do bimestre e a comparação com o desempenho no mesmo mês do ano passado mostram a realidade recente do setor. No acumulado dos primeiros dois meses do ano o mercado interno de máquinas encolheu 44,6%, para 3,9 mil unidades, frente ao primeiro bimestre de 2015. No comparativo entre os meses de fevereiro de 2015 e de 2016 o tombo é apenas um pouco menor, 36,5%.

Com o mercado interno patinando e as exportações ainda aquém do esperado – US$ 1,4 bilhão no bimestre, 7,5% a menos do que em igual período do ano passado – não haveria mesmo o porquê de as linhas de montagem retomarem ritmo mais acelerado neste início de ano. 

A produção de máquinas em fevereiro chegou a 2,9 mil,  quase 40% abaixo do que registrou um ano antes. O resultado do bimestre é ainda mais amargo. Foram fabricadas nesse período 4,5 mil undiades, 52% a menos do que nos dois primeiros meses do ano passado, com especial destaque negativo para as retroescavedeiras, cuja produção encolheu nada menos do 73%, de 1,1 mil em 2015 para 303 unidades .

O dramático cenário para as máquinas de construção  é de fácil compreensão com a paralisação de obras civis de grande porte e a simultânea paralisação das compras governamentais. Já o encolhimento do segmento de máquinas agrícolas – 49,8 %  menos tratores de rodas e 38,1 % colheitadeiras no bimestre –   segue superando as piores expectativas.  

Ana Helena Andrade credita parte do decréscimo do segmento no cenário político-econômico gerador de incertezas, mas somente parte. Do outro lado, lembra a vice-presidente da Anfavea, a uma agropecuária pujante, com projeções de novas safras recordes e PIB agrícula em elevação ano após ano, na ocntramáo, portanto, das vendas de maquinário, que encolheram cerca de 45% de 2013 para cá.   

Assim, interpreta a vice-presidente da Anfavea, é natural que, cedo ou tarde,  as vendas encontrem novamente patamares mais confortáveis para a indústria de máquinas, cuja capacidade produtiva instalada anual em três turnos  é da ordem de 109 mil equipamentos. 

A Anfavea projeta que suas associadas produzirão perto de 56,6 mil unidades em 2016, ligeiramente superior às 55,3 mil registradas em 2015, mas que representariam ociosidade média de  48% de ociosidade nas linhas de montagem.  

“O atual círculo virtuoso da agricultura brasileira, que chega a ter três safras por ano, deve forçar a compra de máquinas porque maior produtividade exige equipamentos mais novos. Devemos ter safras recordes de grãos novamente este ano, por exemplo. A indústria de máquinas tem certeza de que agropecuária é muito maior do que essa crise de forte conteúdo psicológico também.”              


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